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O silêncio de Lula, de Marco Antonio Villa, historiador

setembro 28, 2014 Deixe um comentário

2014-09-28 às Marco Antonio...
Ao escolher candidatos sem consulta à direção partidária, ele transformou o PT em instrumento de vontade pessoal.

Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais.

Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las.

Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores. O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria.

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas.

Lula humilhou diversas lideranças históricas do PT. Quando iniciou o processo de escolher candidatos sem nenhuma consulta à direção partidária, os chamados “postes”, transformou o partido em instrumento da sua vontade pessoal, imperial, absolutista. Não era um meio de renovar lideranças. Não. Era uma estratégia de impedir que outras lideranças pudessem ter vida própria, o que, para ele, era inadmissível.

Os “postes” foram um fracasso administrativo. Como não lembrar Fernando Haddad, o “prefeito suvinil”, aquele que descobriu uma nova forma de solucionar os graves problemas de mobilidade urbana: basta pintar o asfalto que tudo estará magicamente resolvido. Sem talento, disposição para o trabalho e conhecimento da função, o prefeito já é um dos piores da história da cidade, rivalizando em impopularidade com o finado Celso Pitta.

Mas o símbolo maior do fracasso dos “postes” é a presidente Dilma Rousseff. Seu quadriênio presidencial está entre os piores da nossa história. Não deixou marca positiva em nenhum setor. Paralisou o país. Desmoralizou ainda mais a gestão pública com ministros indicados por partidos da base congressual — e aceitos por ela —, muitos deles acusados de graves irregularidades. Não conseguiu dar viabilidade a nenhum programa governamental e desacelerou o crescimento econômico por absoluta incompetência gerencial.

Lula poderia ter reconhecido o erro da indicação de Dilma e lançado à sucessão um novo quadro petista. Mas quem? Qual líder partidário de destacou nos últimos 12 anos? Qual ministro fez uma administração que pudesse servir de referência? Sem Dilma só havia uma opção: ele próprio. Contudo, impedir a presidente de ser novamente candidata seria admitir que a “sua” escolha tinha sido equivocada. E o oráculo de São Bernardo do Campo não erra.

A pobreza política brasileira deu um protagonismo a Lula que ele nunca mereceu. Importantes líderes políticos optaram pela subserviência ou discreta colaboração com ele, sem ter a coragem de enfrentá-lo. Seus aliados receberam generosas compensações. Seus opositores, a maioria deles, buscaram algum tipo de composição, evitando a todo custo o enfrentamento. Desta forma, foram diluindo as contradições e destruindo o mundo da política.

Na campanha presidencial de 2010, com todos os seus equívocos, 44% dos eleitores sufragaram, no segundo turno, o candidato oposicionista. Havia possibilidade de vencer mas a opção foi pela zona de conforto, trocando o Palácio do Planalto pelo controle de alguns governos estaduais.

Se em 2010 Lula teve um papel central na eleição de Dilma, agora o que assistimos é uma discreta participação, silenciosa, evitando exposição pública, contato com os jornalistas e — principalmente — associar sua figura à da presidente. Espertamente identificou a possibilidade de uma derrota e não deseja ser responsabilizado. Mais ainda: em caso de fracasso, a culpa deve ser atribuída a Dilma e, especialmente, à sua equipe econômica.

Lula já começa a preparar o novo figurino: o do criador que, apesar de todos os esforços, não conseguiu orientar devidamente a criatura, resistente aos seus conselhos. A derrota de Lula será atribuída a Dilma, que, obedientemente, aceitará a fúria do seu criador. Afinal, se não fosse ele, que papel ela teria na política brasileira?

O PT caminha para a derrota. Mais ainda: caminha para o ocaso. Não conseguirá sobreviver sem estar no aparelho de Estado. Foram 12 anos se locupletando. A derrota petista — e, mais ainda, a derrota de Lula — poderá permitir que o país retome seu rumo. E no futuro os historiadores vão ter muito trabalho para explicar um fato sem paralelo na nossa história: como o Brasil se submeteu durante tantos anos à vontade pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva.

Capitalismo é a exploração do homem pelo homem, socialismo é o contrário – Sergio Porto

Todos os séculos se assemelham na perversidade dos homens – Voltaire

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Dilma: Quebro a Petrobras, mas me reelejo (2)

dezembro 9, 2013 Deixe um comentário

de Hélio Duque

2013-12-09A presidente Dilma Rousseff está atualizando o ensinamento do governador de São Paulo, Orestes Quércia. Para eleger o seu sucessor, Luiz Fleury, afirmou: “Quebro o Banespa, mas elejo Fleury”, relembrado recentemente pela excelente jornalista Eliana Cantanhêde.

O Banespa quebrou literalmente, sendo recuperado e saneado no governo do saudoso Mário Covas. A Petrobras está sendo estuprada pelo atual governo, em níveis inadmissíveis e atentatórios aos interesses nacionais. Traduzo essa realidade, em números objetivos: no governo Dilma Rousseff, em valores de mercado, a Petrobras teve, até agora, uma desvalorização de 101 bilhões e 500 milhões de dólares. A fonte é a consultoria Economática.

A maior empresa da América Latina está capturada pela anomia, caracterizada pela desintegração das normas que regem a conduta de uma empresa. O seu conselho de administração é presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Fato inédito na história da companhia. Sempre foi presidido pelo titular das Minas e Energia, hoje ocupado pelo despreparado e jejuno, em matéria de petróleo, Edson Lobão. A mudança ocorreu no governo Lula da Silva, quando assumindo a Casa Civil, a ex-ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, manteve a presidência do Conselho de Administração. O engenheiro Silvio Sinedino, que foi representante dos trabalhadores no órgão, afirma:

“O conselho não está decidindo os rumos estratégicos da Petrobras. Isso é feito em outro lugar. Uma coisa é usar a empresa para o desenvolvimento do País, outra é usar para atender a baixa política.”

O “outro lugar” onde tudo se decide é o Palácio do Planalto.

O governo por ser controlador majoritário, autoritariamente, ignora ser a Petrobras uma empresa de economia mista, com os acionistas minoritários donos de mais de 45% do seu capital. A desvalorização dos investimentos dos milhares de acionistas, no Brasil e no exterior, vem atingindo números inacreditáveis. O que leva a se enxergar, diante dos desafios que tem de enfrentar para viabilizar o pré-sal, um futuro incerto. Há dez anos o desalinhamento dos preços dos combustíveis, em função da demagogia populista, obriga a empresa importar derivados de petróleo a preços de mercado e vender internamente a preço menor. Afetando o seu caixa e colocando em risco o volume de investimentos de R$ 236,7 bilhões para os próximos quatro anos.

No governo Rousseff, o endividamento bruto da Petrobras deu um salto triplo. Em 2011, era de R$ 115 bilhões, em outubro de 2013, atingiu, oficialmente, R$ 250,9 bilhões. A indefensável política de represamento de preços, para segurar a inflação, está estrangulando o seu futuro. O economista Amir Khair, fundador e militante do PT, com seriedade e competência, em “O Estado de S.Paulo” (4-11-2012) dizia: “É lamentável a política do governo usando a Petrobras como biombo da inflação. Ao segurar o reajuste de preços está ocasionando os péssimos resultados que estão aparecendo. Falhas desse tipo maculam a imagem do governo e da Petrobras. Incompetência ou irresponsabilidade?”

A Diretoria da empresa, presidida pela engenheira Graça Foster, vem desenvolvendo competente trabalho de saneamento das suas finanças, Hoje ela é composta por profissionais sérios e servidores de carreira. Conscientes da realidade elaboraram metodologia de correção dos preços do diesel e da gasolina sintonizados com a evolução das cotações internacionais. Ao divulgar, em ato oficial, a nova metodologia, a Diretoria da Petrobras, foi nocauteada pela presidente da República e o seu ministro da Fazenda. Proibiram o repasse da diferença dos preços finais dos combustíveis. Autorizaram modesto reajuste, insuficiente para impedir o acúmulo de prejuízos que a empresa vem tendo mensalmente.
O uso da Petrobras como instrumento do governo, objetivando sua reeleição, vem sendo a meta de Dilma Rousseff.

Inacreditável!…

Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

Categorias:Brasil, Perigos Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

A Última do Lula

janeiro 2, 2011 7 comentários

Ate no ultimo dia do ano passado 2010 o Lula mostrou sua truculência e, ainda no poder, anunciou uma decisão altamente polemica e contra os valores éticas e de bom senso:

Lula negou a extradição de Battisti, um assassino legalmente condenado num país democrático e de direito, a Italia, pela morte de 4 pessoas!

Assim, ele livrou a Dilma de um pepino tão grande e desagradável que podia assombrar seus primeiros dias de governo.

“Não temos nenhuma razão para estarmos preocupados com a relação com a Itália. O Brasil tomou uma decisão soberana, dentro dos termos do tratado”, disse Amorim, em rápida coletiva na manhã desta sexta-feira (31), no Palácio do Planalto, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que assinou a decisão de manter Battisti no país.

Amorim (Relações Exteriores) disse que o Brasil não teme retaliações por parte do governo italiano. Ontem, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, classificou a decisão de não extraditar o ex-militante de extrema-esquerda como “incompreensível e inaceitável”.

Como sempre, Lula e sua turma – que inclui a Dilma – se achou acima de qualquer critério moral e ético, e pior ainda, em muitas ocasiões mostrou seu desrespeito as leis e o direito, sem falar dos crimes cobertas e protegidos por ele, pois envolviam seus antigos companheiros. A final, terroristas defendem terroristas!

Dilma deve saber que a sociedade pós-Lula vai ficar bem atenta com sua ficha suja bem extensa.

Imagem: conexoesinevitaveis.blogspot.com, consciencia.net, estadao.com.br, botafogoemacao.blogspot.com,